sábado, 18 de julho de 2015

Pai Divino

                                                           

Agora eu sou
Esqueça esse escudo
Agora eu vou
E depois de toda essa pequeneza
Me leva pro mundo
Com toda essa certeza
De que não sou mais mudo
Com essa riqueza
De quem não sabe de tudo
Que quer aprender a ver
Aprender a sentir de novo
Vestir de amor meu ser

Disseram-me tanto
E ao mesmo tempo disseram-me nada
Foi tudo pranto
Historia mal acabada

Já deu-se a hora
Primavera
Beltane agora
Ja deu-se o dia
A noite é Dele e eu sou sua aurora
Pai cornudo
Pai da selva me protege
Grande chifrudo

Mãe das mães
Acompanha-me  tanto
Grande triplice
Que seca meu pranto
Renasce em mim
A alegria a esse canto

Esse timbre
Essa voz
Ja não me afeta
Não me é atroz

E eu to livre
Na selva Dele
E eu sou poesia
Em tuas mãos
E teus cascos me levam
Lavam
Elevam
Tua galhada me faz forte
Tua gargalhada me faz noite
E tua voz me é o norte

Ja deu-se a hora
Não sou presa a grilhões
Eu sou aurora
Feita de estrelas em seus milhões

Deslizando na imensidão
vivendo a base de harmonia
Enxergando aqueles que me tiraram os grilhões
Nessa falta de nostalgia
Amando a mim mesma e o divino
Amando toda essa euforia
Em toda essa plenitude
Toda essa alegria
 


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Eu nao sou ação
Talvez as agora seja muito
Mas eu fui tanto a reflexão
   
Da tanta amargura
Ardor que dilacera
Ferida putrida que não se cura

Ultimamente eu sou clichê
Cigarros na mão
E muito a beber

Venho ser tontura
Ta tão torpe
Eu virei criatura

Criação
Medo
Unção
Emancipação    
Fruto antigo
Ancião

Tornar-me-ei fumaça
E você não me toca
Essa tua carcaça
Tornar-me-ei pra ti escassa
Tua desgraça        

Sol de noite
Andando por ai
Com mão firme no açoite

 Há uma razão
Uma história
Uma facção
Uma retórica
Uma degeneração
De toda essa imundície        
Dessa inibição                

                             
Esquecendo essa moral
Falácia
Rompendo com o total
Com essa miragem
Com esse banal

Metamorfose
Uma crisálida
Uma miragem
Mutação constante
Viagem

domingo, 15 de março de 2015

Receptáculos de carne. Templos do Divino. Renasce amor a cada vida.


Pra que eu ainda pergunto?
Você? Você não é nada mais
Que um frio defunto
Sem movimento, sem capacidade
Você não tem muito
Não tem vontade ou tenacidade
Nao tem intuito
Não tem seriedade

Eu não posso esperar
Eu não quero
Eu não vou orar
Eu sou o eterno
Mas você
Sua carne
Não crê
Na verdade

O que o presente canta
É composição do passado
O que o espírito manda
É canção de condenado
Na vida antiga
Na nossa outra encarnação
Nessa cantiga
Encenação
E eu ja o conhecia tao antes
Que me reverbera no coração
Nessa existência eu reconheço
Desde o ventre sinto sua distância
Sua presença
Sua inconstância
Desde sempre
Sua mudança

Ja fomos tantos
Ja existimos em quantos?
Você não faz idéia
Mas todo esse encanto
É uma sensação
De puro tato
De pura necessidade e amarração
É inato
É tudo no coração

Você nao entende
Isso é descendente
É perpetuado
É diferente
Com outro você não sente
É de dentro da sua mente
Coração alma residente

É de tão distante
Tão perfeito
Tão extasiante
Tão exato
Tão excitante

Você não é essa carne morta
Esse ser
Que cai e se corta
Você é espírito
Vivendo comigo nessa forma
E em todas as outras passadas
A gente se ve e se uni de maneira morna
Fervente ou torta

Você ja pode ter sido ela
Mas nunca foi lua
Você é tão solar
Enquanto eu sou passiva e tua
Eu posso ter tido sangue da tua carne
Mas hoje sou apenas uma
Eu reconheço teu cerne
De tantas vezes ver enquanto a alma cresce

E de todas as minhas vidas
Essa é melhor
Por que finalmente nessas idas
Eu posso sentir seu calor
Eu posso ficar com você
Eu posso sentir seu teor
Sem ninguém me punir
Sem ninguém pra me redimir
Apenas eu e você
Almas e prazer.




sexta-feira, 6 de março de 2015

Desisti de ti...



Eu não desisti
Cansei
Não reprimi
Parei

Quem não liga
Tem poder
Mas não é sinônimo de felicidade
O que me intriga
É saber
Desde o início sobre a falta de reciprocidade
E mesmo assim ter continuado

Fica cada vez menos interessante
Menos febril
Menos marcante
Você fica
Entediante
Pedante

A cada dia eu vejo menos retórica
Mais bobeira
Menos história
Conteúdo que é bom, nem mostra

Ficou previsível
Mais ausente
Mais descontente
Ta um saco
Entediante
Sempre só o mesmo 'macho'
Menos intrigante
Mais pra baixo

Aquela vontade lasciva
De te colocar na boca
E te sentir gozar
Acabou, e eu to oca
Você  agora so faz entediar

Eu ainda quero
Não é que sumiu
Eu ainda sinto
Só diminuiu
Aquele tesão gostoso
Não foi por completo que extinguiu

Mas não faz mal
Relaxa
Eu sei que passa
Você é so mais alguém
Não é insubstituível
Nem é algo incrível
Logo eu esqueço
Do um jeito e me aqueço.

E que não me falte flor, que não me falte amor, que não me falte amigo, pra passar por essa dor. 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Não deixa passar..


Não da pra me perder
Isso vai mudar
Esquece o que conheceu
Eu não vou te procurar
Eu sou mundo
Eu sou altar
Sacro
Eu sou mais do que você pode carregar

Hei de andar
Fazer o mundo girar
Teus lábios, o gosto que me faz gozar
Distância, o motivo que me faz abandonar
Não entenda mal
Não é sutil, eu cansei de esperar

Faça algo
Faça ser
Mova-se
Ou eu vou te esquecer
Não espera
Não me faz perecer
Não enterra
Não espera isso tudo apodrecer
Putrefar
Entristecer

Aperta o peito
Escorre vermelho
Sangue fresco
Quente viscoso
Tudo ardendo
Rabicundo  desgostoso

Faz doer
Faz machuar
Faz corroer
Faz ignorar
É o que você melhor sabe fazer

Eu não vou
Eu não estou
Eu não quero
Eu não espero
Não me desespero
Eu so tento
Só esqueço
Vou apagando
E as vezes; sem querer
Infelizmente, vou relembrando









terça-feira, 3 de março de 2015

Escrever sem inspiração
É beijar sem paixão
É transar sem tesão
É fazer qualquer coisa s vontade ou razão


segunda-feira, 2 de março de 2015

Telas em branco



Quem dera eu fosse melhor que Picasso
Por que os minutos
Tornaram-se escassos
Quem dera se eu pudesse eterniza-lo
Na tela
Em qualquer espaço
O papel ja virou pouco
O almaço
O toco
Você, moço, não é oco
Não da pra fazer tudo em um só tom
Em um só sopro

Larga mão
Tira o pé do chão
Canta hino de liberdade
Hino de embriagado
Beba de mim
Vem pra perto e eu mostro esse lado

É complô
Fica por perto
Eu posso tramar
É amor
É muito certo
Eu posso mostrar

Chega mais
Na paz
Suave
Vem na boa
Fica atoa
Amar é deixar alguém ama-lo
Amar é sentir alguém alguem ajuda-lo

O mundo é seu
É meu
É nosso
Ferveu
Ardeu
Mudou
E continua no passo
Vê se abre o peito
Abre pra sentir o espaço
Eu não vou forçar entrada
É você que da a sacada
É você que permite a primeira passada

Não vai se perder
To aqui por você
Eu te vejo
Te sinto
Não como casca
Como âmago, instinto

Se perde
Esquece as horas comigo
Imortaliza teu tato na minha pele
Seja mais do que mero sentido.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Sazonal


Você
Com esse cheiro de primavera
Os olhos de céu de verão
Esse jeito despreocupado de folha outonal
Flutuando de leve ao chão

Mas tua ausência é frio de inverno
Pra mim o inferno é gélido
Sozinho e interno

Demônios não voam
Mas eu tento por ti
Não espere que eu não caia
Não é fácil resistir

Teu eu
Tão cheio de ego
Outono e inveno
E eu no âmago inferno
Ah que tristeza, que falta de ti
Que pobreza, na alma e em mim

Não há o que fazer
Eu sei que pode ser
Mas qual a razão
Se não existe querer?

Desculpas a parte
Você é razão
Não é nada singelo
É minha frustração
Então Belenus,
Não some não

Sou mesmo assim, não vou mentir
As quatro estações
São todas minhas canções
São boas vibrações
Cada qual com suas lições
Mas você
Transforma todas as reações.



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Entorpecentes

Tu é pura anestesia
É sinestesia
Paralisia
Tu sabe congelar o tempo
E faze-lo voar
Tu consegue fazer o momento
Me sugar
Faz eu me perder nesse mar

Eu te odeio
Não há nada que eu odeie mais
Do que amor que me trás anseio
Cobiça
Latejo








quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Verbo


Ah cara! Eu não me contento
E se for pra tu me pegar
Tem que ser de jeito

A gente pode ate esperar
Tu pensar um pouco
Pode ate aguardar
Um minuto ou outro
Mas ah, eu não vou ficar
Não to aqui para sempre
E se não for pra me segurar
Meu bem
A gente tem que conversar

Olha nossa prosa
Não é so a rima
É vontade
É lírica
Acredite, comigo você faz poesia
Cada gesto
Ação
Cada aperto ou beijo
Cada passada de mão
É uma estrofe
É um verso
São decassílabos
Ta tudo desconexo
Com você
Poesia vira verbo


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Dúvidas



Eu te olho com sentimento
E tenho que sentir contento
Com apenas suas palavras
Sem nenhum tipo de intento

Convenhamos meu bem
Ja faz um tempo
Que estamos nessa história
E eu quero você em todos os capítulos
Dessa longa epopeia
Ate no epílogo
Dessa obra esotérica

Caótica
Intensa
Extensa
Erótica
Inarravel
Inefável
Exótica
Tudo menos ética

Aquilo tudo que eu digo
Que eu faço
Nada parece o suficiente
Tudo parece escasso
Ineficiente
E eu fico sem saber
O que você quer
Eu fico sem entender
E voce parece nao compreender
Que as minhas ações são
Aquelas 3 palavras que não ouso dizer





Toques

Alucinei sentindo sua languidez
Teu deleite
Sugou o resto da minha lucidez
Tua boca na minha
Teu gosto surreal
Suas maos na minha carne macia
Me perdi nesse temporal

Teu sabor de concupiscência
Arrogância
Indecência
Misturado a minha falta de experiência
Talvez excesso de decência
Que da essa sensação de tontura
Esse gosto de loucura







quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Inquisição


A noite era fria
A lua sangrava
Brilhando sombria
Ela gritava
Por tuas filhas
Agoniava
Um cântico fúnebre
Anunciava

As nuvens no céu
Não passavam
De um véu
Opaco, tetro, lúrido
E o mundo fitou aquele réu
Em meio ao povo pútrido
Atado a madeira
Sentindo a pele sendo beijada
Pelo calor da brasa
E naquele deitar do sol
Muitos réus tornaram-se cinzas
Ou pederderam suas vidas
Nas cordas, em galhos de árvores secas
Tão secas, sem vida e sem pensamento
Quanto o próprio carrasco

Morte a mentira
Aos verdadeiros demônios
Morte ao controlador
Assassino
Opressor

Vida a quem da vida
Colha o que plantar
Mas se sua terra for putrefata
Não há o que semear
Nem espinhos conseguirá

Não!
Não é pecado
Não é sinônimo
De errado
Se te disseram
Que é perversão
Pense novamente
É só história sobre salvação
Por que sexo
É unção
E pecado é só um jeito
De dizerem que você não tem direito
De fazer suas escolhas

Assim como papai noel
Esta para as crianças más
Se comportarem para ganhar presente
Jesus esta para os adultos tolos
Arrecadarem para as igrejas
Se comportarem e ganharem
A sua salvação

A inquisição não acabou
Queima ainda o fogo da intolerância
Julgamento aumentou
E esse proselitismo
Me enjoa e tanto me incomodou

Veja a sua maneira
Procure a resposta
A história verdadeira
Você sente a incógnita
Não se prenda a crença alheia
Questione e aprenda.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sinestesia



Sinto queimando
Ebulindo
Chiando
Tumultuando
Fervilhando
Tudo isso
Escachoando
Ecoando

No peito
Que explode
Sacode
Me leva nesse complô
Que você, meu bem
Criou

Suicídio involuntário
Paradoxo
Contrario
Vai suave nessa pressão
Eu vou de boa
Nesse tesão

É tudo assim mesmo
Confuso
Vai no tato mesmo
Se falhar a visão
Sentido o perfume
Com o gosto do teus lábios
Nessa pura pira de sinestesia
Sem rima
Só delírio
Só sandice
Apenas a insanidade
Mistura
Um pouco de mim, um pouco de ti
Muito de nós



sábado, 7 de fevereiro de 2015

Olho do furacão



Aos poucos
Vou perdendo a visão
Tudo vai tornando-se turvo
Vou perdendo a noção
Vai tudo sumindo
Na escuridão
Na escravidão
Na penumbra
Sem nenhuma exatidão

Eu podia ver brilhar
Chama azul arder
No fundo do teu olhar
Queria me envolver
Nesse calor, nesse queimar

Tentação
Alienação
Paixão
Fervura
Redenção

É tudo parte
Dessa ilusão
Eu ja nao sei diferir
O que é parte de mim ou desse furacão
A realidade virou prisão

Graças a você
Tudo agora é miragem
Tudo é só metáfora
Tudo é só imagem
Apenas poeira
Do que um dia ja foi a verdade

Perco o sono
A vontade
As coisas ganham
Perplexidade
E eu continuo presa
A essa imoralidade

Tu me ganha com um olhar
Gesto e fala desnecessários
Não precisa nem tentar
É só fazer
Para eu te amar

Não vou te pedir
Não vou me submeter
Não vou submergir
Em todo esse querer
Nesse prazer
Nessa tristeza
Nesse entender
Eu vou fugir
Fingir
Que não vi
Não senti
Que não explodi
Com teu beijo
Que não derreti
No teu abraço
Que eu não gostei
Do teu peso sobre o meu
Que não gastei
Horas pensando no breu

São momentos
Instantes
Preciso ve-lo
Isso é inconstante
Quero senti-lo
De maneira quase desmoralizante
Cada pedaço
De ti
Cada traço
Cada espaço
Eu quero caminhar
Com a ponta dos dedos, a língua e o falar
Quero te conhecer
Da maneira mais profunda
Quero fazer
Com que me inunda
Com teu maior prazer.










quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Demônios da encruzilhada


As coisas vão sumindo
Pelas fendas entre os dedos
Vão se esvaindo
Como um castelo de areia
Esta tudo se destruindo

Na ruela fria
Húmida
Eu sou so mais uma figura esguia
Lânguida

Ate chegar na encruzilhada
Como sempre
Na entrada
Vejo essa fera tão querida
Tão amada
Bem no centro
La parada
Por que havia sido
Evocada

Sempre sorridente
Pertinente
Com olhos brilhantes
Cintilando,
Sob a luz fraca piscando
Sempre confiante
Imponente
Irreverente
Meu sangue por ele
Escorre vertente
Tua voz demoníaca
Doce ilusão
Altar da minha
Alienação
Prostra-me então
Nesse imundo chão
Faça me sentir
A perca da razão
Toca-me os lábios
Demônio, me da a sua unção
Faz comigo
Essa união
Entidade beldade
Perfeita irrealidade
Faz agora o surreal
Imoral
O desejo mais tumido
Tornar-se carnal

Ah!
Essa fera tão amada
Seu sigilo eu vou queimar
Esses olhos lápis-lazuli
Pela ultima vez eu vou fitar
Tu não me deixa impune
Eu não vou esperar
Tu cobrar o teu preço
Eu vou fugir, me libertar
Mas quem sabe, um ultimo desejo
Você possa me dar
Um ultimo lampejo
De prazer e selar

Não
Cobra o teu valor
Eu fico
Me arrisco
Doce fera
Tem o meu calor
Eu necessito
Do teu pavor
Do teu ser
Da tua dor

É so com essa abdução
Que eu me sinto viva
Sinto a batida do meu coração
O sangue flui novamente
Extasia-me
Fervente

Explodem os meus sentidos
Loucos em sua presença
Todos eclodindo
A flor da pele a tua sentença
Manando
Aflorando
Drogados
Dopados

Quando dou por mim
Não ha mais nada
Não há demônio ou
Entidade na encruzilhada
Estou sozinha novamente
Com aquela mesma sensação
De vazio, necessidade e tensão
Aquilo não havia sido
Meramente ilusão
Minha fera, doce besta
Estava a espreita



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Sagrado



Somos todos tolos
Com ideias que não são nossas
Somos todos loucos
Com essas poucas prosas

Esse conceito
Esse paradigma
Todo esse jeito
De quem sabe do enigma

Não sabemos de muita coisa
Nossos valores não são nossos
A gente se contenta
Não somos curiosos

Nem tudo, meu amigo
Que vem da luz é bom
Assim como não é mal
Tudo o que vem da escuridão

Não tema o desconhecido
O saber
Quando se ousa tentar
É poder

Aceita você
Os teus dois lados da moeda
Ainda vai entender
A vida é eterna
Reencarna essa idéia

Abra a mente
Pelo menos tira o cabresto
Tente

Uma vez enxergando
Nunca mais
Verá o mundo com o mesmo engano

É tudo verdade
Mentira
E realidade
Descubra você
O que é veracidade

O que é realmente sacro?
O santo de ouro?
Ou o sol no espaço?
O livro cristão?
Ou o talmude e o alcorão?

Deus nos criou?
Ou nos criamos a ele a nossa forma?
Deus nos moldou?
Ou nos o moldamos a nossa fórmula?

Deusa esta em mim
Triluna
Grandiosa enfim
Deus das galhadas
Selvagem assim
Poderoso, imponente e caçador
Em beltane unem-se no amor

Desapegar



Pra mim não é fácil
Não é simples
Não é estável
É contestável
Distorcido
Mutável

É bem assim
Eu me decidi
Mas foi ai
Que me voltou a mente
O pensamento frio
Latente
No âmago
Você não entende

Eu ja larguei a mão
Senti novamente
O vazio de depressão
Mas tudo volta de uma vez
Não da pra ficar são

Não importa por quanto tempo
Eu tente fugir
Não importa por quantos dias
Eu prenda esse sentir
Isso ainda vai matar
Vai me destruir

Eu não acho que vai dar
Eu não quero
Não quero largar
Eu sinto tudo cair
Não to a fim de os olhos marejar

Em cada palavra
No timbre da tua voz
Em cada sílaba
Do teu tom atroz

E eu perco tudo
A noção
A mente
A ação
Completamente

Com o tempo
A dor aumenta
Muito mais
Do que se pensa
Então não vejo
Por que compensa
Deixar de lado
Essa tristeza
Que pelo menos
Passa na sua presença



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

condenados



No conceito mais básico
Você é
O meu maior pecado
Apesar do mesmo
Ser so um conceito abstrato
Pra condenar
Ate mesmo o cidadão pacato

Eu ja disse
Você me limita
Destrói tudo em que toca
Você me irrita

Conceito maldito
Restrito
É so pra amendrontar
Criar uma maneira
De a todos controlar

Pecado
A ferro marcado
Você é tudo de impuro
É completamente dissimulado

Você é aquilo que eu evito
Que eu mais quero
Que eu sinto

Você me deixa no limite
No céu
Rasgando o véu

Não é para entender
É para fazer
É pra ser

Sente na pele
Sob a minha
Não se restringe
A calma

Ja que é pecado
Vai ser bom
Vira um comigo
Você tem esse dom

Me traga nesses olhos
Nesse mar
Se perde em mim
Belenus, meu amar
Vem comigo
Vem de noite pecar

Sou face de lua
Sou noite
Ja disse
Sou tua
Belenus, tu és sol
Fervente
Imponente
E de forma latente
Sublime e descrente
Você me completa
Como esse doce pecado decreta







Stars in your eyes


Ladrão
Ladrão de alma
De corpo e de calma

Assassino
De boa vontade
De bom senso
Sanidade

Tira tudo de mim
Gota por gota
Faz assim
Não tem escape em nenhuma rota
Uma hora isso tem que ter fim

Surrupiou
A graça de tudo
De cada minuto
Sem você é imundo
Sem nexo
Fica tudo desinteressante, mudo

Arrancou ate a veracidade
Do que antes era tanta certeza
Formou uma duvida
Formou tristeza

Tornou tormento
Momento que era acalento
A noite que era descanso
Virou assombro
Virou penoso
Agora é ansiedade
Agora é realidade

Afanei por ti
Flores no jardim
Arranquei assim
Boa parte de mim

Que digam a Orion
Roubaram suas estrelas
Espalhem a notícia
O fizeram com destreza
Quem o fez foi um ladino
Que me afundou na melancolia
Quem o fez foi o menino
Que carrega nos olhos
O brilho do saque sem o mínimo de refino

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Encanta-me o teu sorriso, e foi no azul do teu olhar que eu encontrei o paraíso.


Intrínseco



Não, eu não me contento
Não gosto de qualquer relento
Não é tanto faz como tanto fez
Eu quero por inteiro
Mesmo que seja insensatez

Pra mim não tem essa
De que tudo vale a pena
E que se não virar amor
Vira poema

Maldita frase de rejeitado
Por que pra mim mais vale um afago
Do que mil palavras no almaço

Não gosto desse gosto amargo
De solitario no espaço
Flutuando no encalço
De uma companhia nem que seja falso

E que quando o Fogo de Bel arder
E o mastro de maio se erguer
Que eu tenha ao meu lado um consorte
Alguém que  comigo olhe sempre ao norte

Que seja livre por natureza
Mas que volte sempre por opção
Que mesmo na cólera ou tristeza
Não prostre a outra o coração

Não quero uma gaiola
Não quero opressão
Quero a luz do dia
Belenus que completa minha escuridão

Antônimo
Meu oposto
Sinônimo
De um encontro
Que ainda não aconteceu
A pessoa que não encontrei
Que ainda não me apareceu

Talvez eu seja míope
Cega ou simplesmente ignore
Talvez eu não queira alma gêmea
Queira o oposto que me faça inteira

Qual a graça
De ter um espelho?
Qual o motivo
De viver ao lado de si mesmo?
Sem nada pra dar
Nada a acrescentar

Ele ou ela
Não importam as definições
O que importa são ações
São as palavras
As reações
Ama-se o espírito, a carne é so receptáculo
Para os reais corações

E mesmo que possa doer
Arrisca tudo
Do contrário, que graça vai ter?
Algo sem paixão
Sem aquele beijo
Que mais parece explosão

E mesmo a distância
Você parece ate que sente
Bem de leve a fragrância
Do último abraço

Mais vale um amor ao seu alcance
Do que um romance de livro
Na sua estante

Mais vale quebrar os paradigmas
Por quem vale a pena
Do que quebrar a alma
Por uma sociedade que so desdenha

Não deixa eles te infernizarem
Isso não é errado
Amor é independente de gênero
Não é imoral ou depravado

Amor é amor
Não é definição
Amor não é simples
É decisão
É não abandonar
É conhecer os defeitos e ainda assim
Acompanhar
É deixar arder
Sentindo nessa dor prazer
É moldar um pouco a cada dia
Conceder ao próximo a sua alegria
É saber deixar viver
E mesmo querendo, nao prender.






sábado, 31 de janeiro de 2015

Quem sabe um dia, seja por amor ou pela poesia, você entenda o que eu digo.

Exposição.



Eu posso dizer quando foi
Exatamente o dia, a noite
Talvez  não a hora, mas começa com 'oi'
Exatamente as falhas
E eu erro teu nome depois

O cheiro estranho da feira
O som do maquinário
Foi mais do que surpresa
Eu me perdi no horário

Não vi muito mais
Que a cor dos teus olhos
Tudo sumiu ao redor de nós dois
So havia você e eu

Chamei você pelo nome do teu irmão
Depois concertei
Pelo menos tentei
Eu sei que as palavras atropelei
Os Deuses sabem que eu corei

Você estava sorrindo
Você sempre está
Mas eu não estava acostumada
Com o jeito que tu fala
Eu não estava preparada
Sinceramente
Para nada

Acho que foi nessa noite
Na feira
Que eu peguei gosto pelo teu sorriso
Que eu peguei nojo pelo teu amigo
Que ja não deu mais certo contentar
Com o que um qualquer podia dar

Foi perdendo a respiração
Perdendo chão e a visão
Que eu percebi
Teus olhos viciam e são minha prisão
Teu sorriso me traga e me tira a razão

Pareceu uma eternidade
Mas foram meros segundos
Me senti nas nuvens, em cima da cidade
Mas estava perto o suficiente de ti
Pra me sentir viva de verdade

E nesse rompante
Nesse ferver
Eu larguei a mão
Deixei tudo descer
Eu não me prendi mais ao chão
Passei a entender
Que era você e não mais a gravidade
Que aqui me segurava desde então




sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Universos



Não importa o que aconteça
Na dor
Na morte ou na tristeza
Meu anjo, eu vou te adorar

Por que é assim mesmo
Não é condicional
Como o amor de um gato,
É irracional
Como cão desvairado

Não somos iguais
Não somos parecidos
Não somos nada de mais
Não somos nem amigos

Torna-me então
Tua por inteiro
Por que eu ja sou metade
De tudo aquilo que você representa

Enquanto você estiver ai
Meu peito em brasa viva
Vai rugir
Ja que você está me derretendo
De dentro pra fora eu vou ruir

Simplesmente entenda
Eu sou o infinito
E você o mundo e as estrelas
Qual a minha utilidade
Sem a tua beleza?
Qual a minha vontade
Sem a tua existência?

Teus olhos são minhas constelações
No azul brilhante
As estrelas são as mais belas visões
Que iluminam o vasto negro do meu olhar]
Criadas por magníficos deuses dos mais variados panteoes]

E tão vasto quanto o universo
É essa certeza
De que você preenche meu coração         controverso]
De que você, meu sol lua e estrelas
Nunca vai ser tao desconexo

Embora as vezes
Eu tenha que me acostumar
Com teu desacato
Teu modo rude de andar

Mas a ironia meu querubim
É que essa nossa história não vai ter fim
E eu tão descrente teu carinho
Continuo te adorando
Mesmo em anjo nenhum acreditando.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Menina bonita sem laço de fita.

E eu não te conheço
Não faço questão
Não é bem que eu dispenso
Só evito paixão

Não me leva a mal
So deixa passar
Muda teu foco
Uma hora isso vai esfriar

Procura outras, menina
Esquece de mim
Tu tem um bom cardápio
Então não fica assim

Não fica surpresa
Se eu não te procurar
Meu poliamor
Não vai durar

Eu juro pra você
Tentei te segurar mas
Menina, eu amo um por vez
E você não ta cabendo nessa insensatez

Vê se não me obriga
A falar por extenso
Vê se me erra
Procura outro berço

Você é inteligente
Interessante
Persistente
Mas contra ele, tu não foi suficiente

Sei que tu é liberdade
Mas essa minha vontade
De ser um com ele
Inibe tua verdade
Qualquer outra sacralidade

Nem venha perguntar por que
Não sei responder
Muito menos dizer
So sei o que quero fazer
E infelizmente meu plano
Não incluí você



sábado, 24 de janeiro de 2015

Preces a Kali


Ignora-me
Dilacera-me a alma
Abra-me os lábios  em lamento
Os olhos contento
Com a tua falta

Tira de mim
O que lhe diz respeito
Pois quando vos vejo
Abro o peito em desejo

Então me dilacera
Me mata, pois
Na minha mente tu impera

Entorpece-mes aos pucos
Me embebeda
Nesse teu tom rouco
                           
Depois me desampara
Some
Me ilude e separa

E em cada figura
Nada fugaz e escura
No teu eu
Masculino e viril
Vivaz e nada sutil    
Procuro ve-lo
Senti-lo, te-lo

A cada passo
Sinto o calor no meu peito
Se tornar mais escasso
Por que não me é de direito
Sentir novamente teu abraço  

A cada passo
Sinto a dor do momento
Sinto falta de estar no teu peito
Sinto a vontade de ser filha
De Babalon e ter jeito
De quem anda sem precisar
De você ou qualquer relento

Quero teu gosto
Tua alma
teu rosto

Quero teu beijo
Teu sexo
Regozijo

Quero que me tome
Prostre-me e dome  

Quero que me tenha
Mostre-me o romper
Da kundalini
Do gozo
Do poder

Explora-me no tantra
Pedaço por pedaço
Torna-me um mantra
Preencha-me em cada espaço

E eu quero você
Tanto quanto posso aceitar
E eu respiro teu ser            
Tanto quanto da pra suportar

Então não me deixa
Me ama
Me beija

Por que não posso
Contentar-me com migalhas
Me tornar destroços
Pela tua falta  

Faz-me tua    
Por que eu o amo
Como so ama a alma obscura

Prova de mim
Envolva-te em minha penumbra
Em tom carmesim
Gemendo rubra

Carinhoso com o teu açoite
Seja torpe
Isola-me na noite.



sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Dualidade



Eu nao vou te procurar
Nao hoje
Nao mais
Tão pouco
Perder a paz

E eu nao vou te amar
Pelo menos
Nao tanto quanto
odiar      

E no extasiar          
No romper do véu
No limite
Tocando o céu        

Não são nos teus olhos
Que eu vou pensar
Mesmo que seja carne estranha
Sobre mim a pesar

Não é o teu toque
Que nos corpos alheios
Eu vou procurar
Tão pouco o choque
Do teu beijo doce
Nos lábios de outros
Eu vou buscar      

E em Beltane
Quando a roda se abrir
E a rosa desabrochar
Não é o teu mastro
Que que vou enfeitar

Então me poupa
Da tua luxúria
Da tua falta de roupa

Então não esquece
Que eu sou lilith
Tanto quanto eva
Que eu sou livre
Tanto quanto sou ela

Não venha você me ditar
Que meu jeito de andar
Que meu ser
Meu amar
É errado

Por que eu sou ela
Que transforma
Transmuta
Que é a terra

Por que eu sou isso
Que desmata
Chora e se agarra        
Desapega e se alastra

Por que eu sou
Uma oradora
Um arauto
Das maiores mentiras
Que nao se pode contar

Por que nessa noite fria
Que apaga minhas falácias      
Eu necessito te encontrar.