sábado, 24 de janeiro de 2015

Preces a Kali


Ignora-me
Dilacera-me a alma
Abra-me os lábios  em lamento
Os olhos contento
Com a tua falta

Tira de mim
O que lhe diz respeito
Pois quando vos vejo
Abro o peito em desejo

Então me dilacera
Me mata, pois
Na minha mente tu impera

Entorpece-mes aos pucos
Me embebeda
Nesse teu tom rouco
                           
Depois me desampara
Some
Me ilude e separa

E em cada figura
Nada fugaz e escura
No teu eu
Masculino e viril
Vivaz e nada sutil    
Procuro ve-lo
Senti-lo, te-lo

A cada passo
Sinto o calor no meu peito
Se tornar mais escasso
Por que não me é de direito
Sentir novamente teu abraço  

A cada passo
Sinto a dor do momento
Sinto falta de estar no teu peito
Sinto a vontade de ser filha
De Babalon e ter jeito
De quem anda sem precisar
De você ou qualquer relento

Quero teu gosto
Tua alma
teu rosto

Quero teu beijo
Teu sexo
Regozijo

Quero que me tome
Prostre-me e dome  

Quero que me tenha
Mostre-me o romper
Da kundalini
Do gozo
Do poder

Explora-me no tantra
Pedaço por pedaço
Torna-me um mantra
Preencha-me em cada espaço

E eu quero você
Tanto quanto posso aceitar
E eu respiro teu ser            
Tanto quanto da pra suportar

Então não me deixa
Me ama
Me beija

Por que não posso
Contentar-me com migalhas
Me tornar destroços
Pela tua falta  

Faz-me tua    
Por que eu o amo
Como so ama a alma obscura

Prova de mim
Envolva-te em minha penumbra
Em tom carmesim
Gemendo rubra

Carinhoso com o teu açoite
Seja torpe
Isola-me na noite.



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