Ignora-me
Dilacera-me a alma
Abra-me os lábios em lamento
Os olhos contento
Com a tua falta
Tira de mim
O que lhe diz respeito
Pois quando vos vejo
Abro o peito em desejo
Então me dilacera
Me mata, pois
Na minha mente tu impera
Entorpece-mes aos pucos
Me embebeda
Nesse teu tom rouco
Depois me desampara
Some
Me ilude e separa
E em cada figura
Nada fugaz e escura
No teu eu
Masculino e viril
Vivaz e nada sutil
Procuro ve-lo
Senti-lo, te-lo
A cada passo
Sinto o calor no meu peito
Se tornar mais escasso
Por que não me é de direito
Sentir novamente teu abraço
A cada passo
Sinto a dor do momento
Sinto falta de estar no teu peito
Sinto a vontade de ser filha
De Babalon e ter jeito
De quem anda sem precisar
De você ou qualquer relento
Quero teu gosto
Tua alma
teu rosto
Quero teu beijo
Teu sexo
Regozijo
Quero que me tome
Prostre-me e dome
Quero que me tenha
Mostre-me o romper
Da kundalini
Do gozo
Do poder
Explora-me no tantra
Pedaço por pedaço
Torna-me um mantra
Preencha-me em cada espaço
E eu quero você
Tanto quanto posso aceitar
E eu respiro teu ser
Tanto quanto da pra suportar
Então não me deixa
Me ama
Me beija
Por que não posso
Contentar-me com migalhas
Me tornar destroços
Pela tua falta
Faz-me tua
Por que eu o amo
Como so ama a alma obscura
Prova de mim
Envolva-te em minha penumbra
Em tom carmesim
Gemendo rubra
Carinhoso com o teu açoite
Seja torpe
Isola-me na noite.
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