As coisas vão sumindo
Pelas fendas entre os dedos
Vão se esvaindo
Como um castelo de areia
Esta tudo se destruindo
Na ruela fria
Húmida
Eu sou so mais uma figura esguia
Lânguida
Ate chegar na encruzilhada
Como sempre
Na entrada
Vejo essa fera tão querida
Tão amada
Bem no centro
La parada
Por que havia sido
Evocada
Sempre sorridente
Pertinente
Com olhos brilhantes
Cintilando,
Sob a luz fraca piscando
Sempre confiante
Imponente
Irreverente
Meu sangue por ele
Escorre vertente
Tua voz demoníaca
Doce ilusão
Altar da minha
Alienação
Prostra-me então
Nesse imundo chão
Faça me sentir
A perca da razão
Toca-me os lábios
Demônio, me da a sua unção
Faz comigo
Essa união
Entidade beldade
Perfeita irrealidade
Faz agora o surreal
Imoral
O desejo mais tumido
Tornar-se carnal
Ah!
Essa fera tão amada
Seu sigilo eu vou queimar
Esses olhos lápis-lazuli
Pela ultima vez eu vou fitar
Tu não me deixa impune
Eu não vou esperar
Tu cobrar o teu preço
Eu vou fugir, me libertar
Mas quem sabe, um ultimo desejo
Você possa me dar
Um ultimo lampejo
De prazer e selar
Não
Cobra o teu valor
Eu fico
Me arrisco
Doce fera
Tem o meu calor
Eu necessito
Do teu pavor
Do teu ser
Da tua dor
É so com essa abdução
Que eu me sinto viva
Sinto a batida do meu coração
O sangue flui novamente
Extasia-me
Fervente
Explodem os meus sentidos
Loucos em sua presença
Todos eclodindo
A flor da pele a tua sentença
Manando
Aflorando
Drogados
Dopados
Quando dou por mim
Não ha mais nada
Não há demônio ou
Entidade na encruzilhada
Estou sozinha novamente
Com aquela mesma sensação
De vazio, necessidade e tensão
Aquilo não havia sido
Meramente ilusão
Minha fera, doce besta
Estava a espreita

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