Aos poucos
Vou perdendo a visão
Tudo vai tornando-se turvo
Vou perdendo a noção
Vai tudo sumindo
Na escuridão
Na escravidão
Na penumbra
Sem nenhuma exatidão
Eu podia ver brilhar
Chama azul arder
No fundo do teu olhar
Queria me envolver
Nesse calor, nesse queimar
Tentação
Alienação
Paixão
Fervura
Redenção
É tudo parte
Dessa ilusão
Eu ja nao sei diferir
O que é parte de mim ou desse furacão
A realidade virou prisão
Graças a você
Tudo agora é miragem
Tudo é só metáfora
Tudo é só imagem
Apenas poeira
Do que um dia ja foi a verdade
Perco o sono
A vontade
As coisas ganham
Perplexidade
E eu continuo presa
A essa imoralidade
Tu me ganha com um olhar
Gesto e fala desnecessários
Não precisa nem tentar
É só fazer
Para eu te amar
Não vou te pedir
Não vou me submeter
Não vou submergir
Em todo esse querer
Nesse prazer
Nessa tristeza
Nesse entender
Eu vou fugir
Fingir
Que não vi
Não senti
Que não explodi
Com teu beijo
Que não derreti
No teu abraço
Que eu não gostei
Do teu peso sobre o meu
Que não gastei
Horas pensando no breu
São momentos
Instantes
Preciso ve-lo
Isso é inconstante
Quero senti-lo
De maneira quase desmoralizante
Cada pedaço
De ti
Cada traço
Cada espaço
Eu quero caminhar
Com a ponta dos dedos, a língua e o falar
Quero te conhecer
Da maneira mais profunda
Quero fazer
Com que me inunda
Com teu maior prazer.

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