Pra que eu ainda pergunto?
Você? Você não é nada mais
Que um frio defunto
Sem movimento, sem capacidade
Você não tem muito
Não tem vontade ou tenacidade
Nao tem intuito
Não tem seriedade
Eu não posso esperar
Eu não quero
Eu não vou orar
Eu sou o eterno
Mas você
Sua carne
Não crê
Na verdade
O que o presente canta
É composição do passado
O que o espírito manda
É canção de condenado
Na vida antiga
Na nossa outra encarnação
Nessa cantiga
Encenação
E eu ja o conhecia tao antes
Que me reverbera no coração
Nessa existência eu reconheço
Desde o ventre sinto sua distância
Sua presença
Sua inconstância
Desde sempre
Sua mudança
Ja fomos tantos
Ja existimos em quantos?
Você não faz idéia
Mas todo esse encanto
É uma sensação
De puro tato
De pura necessidade e amarração
É inato
É tudo no coração
Você nao entende
Isso é descendente
É perpetuado
É diferente
Com outro você não sente
É de dentro da sua mente
Coração alma residente
É de tão distante
Tão perfeito
Tão extasiante
Tão exato
Tão excitante
Você não é essa carne morta
Esse ser
Que cai e se corta
Você é espírito
Vivendo comigo nessa forma
E em todas as outras passadas
A gente se ve e se uni de maneira morna
Fervente ou torta
Você ja pode ter sido ela
Mas nunca foi lua
Você é tão solar
Enquanto eu sou passiva e tua
Eu posso ter tido sangue da tua carne
Mas hoje sou apenas uma
Eu reconheço teu cerne
De tantas vezes ver enquanto a alma cresce
E de todas as minhas vidas
Essa é melhor
Por que finalmente nessas idas
Eu posso sentir seu calor
Eu posso ficar com você
Eu posso sentir seu teor
Sem ninguém me punir
Sem ninguém pra me redimir
Apenas eu e você
Almas e prazer.



